Cada país com sua mania

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O panettone é de Milão, mas tem em todo lugar - como na linda Florença
O panettone é de Milão, mas tem em todo lugar – como na linda Florença

Existe um ditado italiano que diz “paese che vai, usanza che trovi” (que poderia ser traduzido muito livremente como como “cada país tem sua mania”).

É comum ouvir essa frase quando alguém se depara com um costume estranho em um lugar que não é sua casa mas, ao mesmo tempo, não se trata de uma coisa pejorativa, mas de uma (positiva) estupefação.

Pois bem, com o Natal batendo à porta, lanço mão desse dito para falar de um dos símbolos das festas de final de ano, o panettone. Mas deixa eu fazer um pequeno parênteses antes.

Essa maravilha aerada e fofinha nasceu em Milão, mas não pode faltar nas mesas de norte a sul da Itália. Sua origem, como sempre, é um tanto controversa; alguns dizem que nasceu das mãos de um homem apaixonado que, para conquistar a filha do padeiro, inventou o pão mais doce e fofo que podia imaginar.

Outros dizem que, em uma ceia de Natal, um dos cozinheiros de uma família nobre italiana milanesa queimou a sobremesa antes de servi-la e, no desespero, um de seus ajudantes, chamado Toni, sugeriu servir um pão doce que havia preparado naquela manhã – o pão do Toni, ou, “pan del Toni”.

Seja como for, resolvi fazer esse post para contar como algo tão familiar para nós brasileiros, aqui na Itália adquire contornos muito inusitados… aqui vai uma listinha com três hábitos “panetônicos” dos italianos:

1. Mascarpone – Como aqui, no Natal, faz um frio do cão, servir panettone com sorvete não é muito comum. Mas os italianos arranjaram um outro acompanhamento deliciosamente cremoso: o creme de mascarpone, feito com este, açúcar e ovos – que combina que é uma maravilha, principalmente considerando que o panettone italiano normalmente é um pouquinho mais seco do que o brasileiro.

Panettone e mascarpone - é tão bom que até rima!
Panettone e mascarpone – é tão bom que até rima!

2. Saquinho de açúcar – Principalmente nos panettones industrializados (e em especial aqueles com amêndoas açucaradas como cobertura), dentro da embalagem sempre se encontra um saquinho de açúcar de confeiteiro. As crianças sempre se divertem quando chega o momento de abrir o saquinho, jogar o açúcar dentro do saco de celofane da embalagem e chacoalhar tudo para que a neve branca cubra todo o panettone!

Panettone com neve de açúcar!
Panettone com neve de açúcar!

3. Nada de brigadeiro – Aqui, o panettone pode apresentar algumas variantes, como o tradicional com frutas cristalizadas, chocolate (que NÃO se chama chocottone!) ou só uvas passas – sem falar no pandoro, aquele alto, sem recheio nenhum, feito em uma fôrma com formato de estrela. Por outro lado, os italianos torcem o nariz quando ouvem falar em panettones recheados, como aqueles que encontramos no Brasil. Posso confessar? É uma pena. Adoraria encontrar um bem grandão, recheado com brigadeiro por aqui!

Panettone: tem de todos os tipos, mas recheio, nunca... :(
Panettone: tem de todos os tipos, mas recheio, nunca… 😦

Mas, seja qual for a usança de cada lugar, só uma coisa importa: nada melhor para adoçar (ainda mais) o Natal do que ele!

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