FloCiBO na estrada – Grécia

Me lembro que quando cheguei em Bologna, três anos atrás, no final de julho de 2012, me deparei com uma cidade terrivelmente inóspita: um calor infernal (temperaturas beirando os 40 graus, umidade a mais de 80%), ruas vazias, tudo fechado. Que diabos vim fazer aqui? Continuava a me perguntar por mais de um mês.

Só depois entendi: na Europa, agosto é o mês por que todos esperam. As temperaturas atingem o auge; os escritórios, restaurantes, lojas e escolas fecham e, todos os anos, se dá o êxodo em direção ao mar. É como se carnaval, réveillon e aniversário fossem concentrados em um só mês.

Agora, já acostumada com esse fenômeno, tão logo chega a primavera começo a sentir uma espécie de coceira para sair do trabalho mais cedo, unida a uma incontrolável vontade de pular no mar. E passada a metade de julho, ciao. Fujo mesmo.

Partiu Grécia
Partiu Grécia (Foto: Simone Tortini)

Neste ano, não foi diferente. Com um calor recorde, de fritar uma bisteca fiorentina alta assim no chão, não quis saber das previsões catastróficas sobre a situação da Grécia e foi pra lá mesmo que resolvi escapar. Não me arrependo.

Parti para duas das Ilhas Cíclades (um grupo de ilhas no sul do mar Egeu), a selvagem e apaixonante Milos

Uma igrejinha no meio do nada, em Milos (Foto: Simone Tortini)
Uma igrejinha no meio do nada, em Milos (Foto: Simone Tortini)

e a linda e agitada Santorini

O concorrido pôr-do-sol de Santorini (Foto: Simone Tortini)
O concorrido pôr-do-sol de Santorini (Foto: Simone Tortini)

Mas, não vim aqui para falar do mar azul, das praias de todos os tipos, formas e fundos (pedrinhas, pedronas, areia preta, areia branca, areia vermelha…)

Degradê - Milos
Degradê – Milos (Foto: Simone Tortini)

tampouco dos cenários cinematográficos com aquelas casinhas brancas e azuis penduradas em cima dos morros.

Santorini (Foto: Simone Tortini)
Santorini (Foto: Simone Tortini)

Como sempre, quero falar é de comida.

E que delícia de cozinha. Simples, com poucos ingredientes (basicamente peixes, cabrito, tomates, azeitonas, pimentões, pepinos, iogurte e alho), é o tipo de cozinha da qual dificilmente se cansa.

Sem mais, deixo vocês com minha lista dos melhores pratos (com nomes de alguns restaurantes aprovadíssimos), para lembrar daqueles dias ensolarados:

Antepastos e entradas

Essa é a escolha mais difícil. É duro deixar passar a sempre certeira salada grega que, em ambas as ilhas era feita invariavelmente com pimentões verdes, tomates, cebola roxa, pepinos, azeitonas, alcaparras, orégano e azeite, com uma fatia grossa de queijo feta apoiada em cima.

Salada Grega Milos
Salada Grega em Milos

Fresca e gostosa sim, mas não caia na armadilha de pensar que é a única coisa do menu (eu, já no terceiro dia, praticamente desisti dela…tinha muita coisa ainda melhor!)

Por exemplo, friturinhas e bolinhos de vários tipos, além das mil pastinhas e patês, feitos quase sempre a partir de uma base de iogurte grego (que, diferente do que a maioria das pessoas pensa, de magro não tem nada e chega a mais de 10% de gordura) e combinadas com berinjelas, tomates secos, pimentões e etc.

Pastinhas e tomates fritos
Pastinhas e tomates fritos

Dá pra escolher um mix, ou ficar com meu preferido, o deliciosamente refrescante e tradicionalíssimo tzatziki (iogurte grego, alho ralado, pepino ralado e azeite).

Tzatziki
Tzatziki

Mas, quem diria, nem só de iogurte se vive por lá. O mais novo xodó do meu namorado é a “salada de ouriço”, servida em quase todos os bons restaurantes de peixe das ilhas e que consiste simplesmente em polpa de ouriço (uni, para os amantes do sushi; riccio para os simpatizantes da Itália), azeite e poucas gotinhas de limão. Juro que cada mordida traz consigo todo o sabor do mar.

Salada de ouriço (Foto: Simone Tortini)
Salada de ouriço (Foto: Simone Tortini)

Pratos principais – Mar ou terra?

A escolha aqui também não é fácil, mas tudo começa com uma decisão crucial: peixes e frutos do mar, ou carne?

Eu, sinceramente, tinha essa imagem de que, na Grécia, seria possível encontrar peixe fresco em qualquer esquina. Infelizmente, não é bem assim.

Frutos do mar em geral e, em particular, polvo, você pode encontrar em qualquer lugar. Aliás, olha só que engraçado o jeito que os gregos preparam o polvo.

Polvo no varal
Polvo no varal

Eles penduram o bicho em uma espécie de varal e o deixam secar por 1 ou 2 dias… aí, é só jogar na brasa e pronto! (Obs: o sabor é ótimo, mas quem espera um polvo molinho, pode esquecer… ali a moda da casa é sempre servir aquela carne meio chiclete)

Mas, voltando aos peixes – que, na Grécia, são feitos quase exclusivamente na brasa. Por questões burocráticas (i.e. necessidade de licença para a venda de peixes que ultrapassem limites de peso pré-estabelecidos), ou logísticas (em poucas palavras, o peixe que chega no porto, é vendido para os restaurantes do porto), encontrar bons restaurantes de peixe não é tarefa assim tão fácil.

Não é fácil, mas conseguimos! Em Milos, nos apaixonamos por um restaurante no porto de Pollonia (disparado, o melhor lugar para comer peixes em Milos), o Gialos. Tanto que voltamos lá quatro vezes…!

Eu com meu prato de trilhas na brasa (AMO) no Gialos
Eu com meu prato de trilhas na brasa (AMO!) no Gialos

Por outro lado, se a escolha for carne, eu tomo a liberdade de dar 2 sugestões certeiras.

Moussaka

Moussaka - Lasanha grega
Moussaka – Lasanha grega

Presente em praticamente todos os restaurantes, essa quase lasanha é feita com uma base de batatas, carne moída, molho de tomates, molho bechamel e especiarias variadas (dependendo da receita de família, vai canela, cominho, etc.). Minha única recomendação: espere um bom bocado antes de entrar no mar depois de comê-la… é pesada que só.

Comida vulcânica!

A atividade vulcânica na Grécia é contínua e praticamente todas as ilhas foram formadas ou transformadas depois de grandes explosões. Santorini, por exemplo, foi construída na beira da cratera de um vulcão – que, séculos atrás, destruiu quase toda a ilha, soterrando cidades que hoje podem ser visitadas, como a Antiga Thira e a incrível Akrotiri (a Pompéia grega, datada da Era do Bronze).

Em Milos, por outro lado, tem uma praia, Paleochiori, que parece saída de um filme de ficção científica. Com snorkel, dá para ver milhares de bolhinhas subirem continuamente do fundo do mar; nadando um pouco a largo, existem mini praias amarelas e vermelhas, com um cheiro de enxofre insuportável; e em alguns pontos da praia, é possível se deliciar com “piscinas” de água quente. Ainda ali, a areia parece pegar fogo (é impossível caminhar descalço) e os sábios locais aproveitam justamente esse calor interno para cozinhar.

Cardápio do Sirocco, um excelente restaurante de comida vulcânica em Paleochiori (Milos)
Cardápio do Sirocco, um excelente restaurante de comida vulcânica em Paleochiori (Milos)

Os ingredientes são cozidos por toda a noite embaixo da areia e o resultado, claro, são carnes saborosíssimas, que desmancham na boca. Recomendo vivamente o cabrito.

Kimolos - ilha em frente a Milos
Kimolos – ilha em frente a Milos

Enfim, agosto está no final. Semana que vem todos voltam ao batente e eu, já saudosa do mar, enchi minha geladeira de feta e pepinos para reiniciar minha contagem regressiva até o próximo verão.

Milão verde e amarela

Neste final de semana, Milão esteve mais brasuca que nunca: show aclamadíssimo de Caetano e Gil (que o jornal o Corriere della Sera classificou como “um milagre da perfeição”), visita da presidente Dilma à EXPO 2015 (que balançou, mas não caiu na rede do pavilhão brasileiro) e, ainda ali na exposição universal, uma participação especialíssima de um dos nossos chefs mais talentosos da atualidade, Rodrigo Oliveira, do Mocotó, que por um final de semana apresentou seus pratos em um restaurante dedicado aos melhores chefs do mundo.

Com o coração esmigalhado, não consegui ir ao show; com um certo alívio, não topei com a Dilma; mas, graças a uma boa pitada de sorte, e sem saber, acabei me deparando com o esplêndido menu do Rodrigo enquanto passeava pela EXPO.

As supresas que essa tal de Expo 2015 pode trazer...
As supresas que essa tal de Expo 2015 pode trazer…

Era hora do almoço, eu e meu noivo Simone estávamos tentando decidir onde comer – bar de tapas espanholas? Food truck holandês? Buffet do Catar? Restaurante do Cazaquistão? – e, por acaso, passamos na frente do Identità Expo, um espaço do projeto Identità Golose, onde a cada semana um chef estrelado diferente apresenta um menu degustação de quatro pratos, cada qual acompanhado por um vinho especial (preço: 75 euros por pessoa). Não acreditei nos meus olhos quanto vi isso aqui:

Menu do Rodrigo Oliveira no Identità Expo
Menu do Rodrigo Oliveira no Identità Expo

Carreguei o Simone, meio ressabiado, pra dentro e a festa começou. Read More

Duro é resistir

Ultimamente, a Europa está enfrentando uma terrível onda de calor (no norte da Itália, os termômetros estão batendo os 40 graus) e, ainda bem, aqui pertinho de Bologna existem várias cidadezinhas localizadas no alto das colinas que rodeiam a cidade e, por lá, as temperaturas são até 7 graus mais frescas do que o que enfrentamos em Bologna.

Fugindo do calor: fui pro alto do Montecimone, a 2.165 m...!
Fugindo do calor: fui pro alto do Montecimone, a 2.165 m…!

Por isso mesmo, nos finais de semana, a melhor coisa a se fazer é pegar o carro e sair por aí, à procura do “frio”. Nessas minhas andanças dominicais, também sempre acabo descobrindo algum restaurante ou produto particular – que valem a viagem.

Bem nessa época, a queridinha da vez é uma das frutas mais nobres da Emilia Romagna, a cereja. Mas não estou falando de uma cerejinha qualquer, e sim de uma variedade especial da fruta, que de tão parruda virou até cereja-macho (i.e. o gênero da palavra que dá nome a ela é masculino), e por se tratar de algo que só cresce por aqui, ganhou selo de indicação geográfica (IGP.). São os duroni de Vignola – cidadezinha a 30km de Bologna – ou Ciliegia di Vignola IGP.

Duroni de Vignola
Duroni de Vignola

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A maior criação de Bottura

Refettorio Ambrosiano (Fonte: http://www.scattidigusto.it/wp-content/uploads/2015/06/sala-Refettorio-Ambrosiano-640x426.jpg)
Refettorio Ambrosiano (Fonte: http://www.scattidigusto.it/wp-content/uploads/2015/06/sala-Refettorio-Ambrosiano-640×426.jpg)

Já falei mil vezes aqui sobre a minha indignação com o fato que não se fale da EXPO Milão 2015 no Brasil. Vocês, por outro lado, devem estar cansados de ler e ouvir notícias (praticamente as únicas) vindas da Itália a respeito do enorme problema dos imigrantes ilegais e refugiados que a cada dia chegam aos milhares no país e, sem soluções políticas a curto prazo, ficam sem ter para onde ir, além de lugares públicos como a estação de trem de Roma e, principalmente, Milão.

Pois bem, justamente nessa cidade, sede da EXPO de vitrine da Itália para o mundo, o chefe recém eleito pela “50 Best Restaurants” como o segundo melhor do globo em 2015, Massimo Bottura – que vira e mexe aparece no Brasil – e o diretor Davide Rampello resolveram pegar o mote da EXPO (“nutrir o mundo”) e oferecer a centenas de pessoas em dificuldade da cidade comida feita por Bottura e mais de 40 chefs estrelados do mundo a partir dos ingredientes que sobram da EXPO.

Massimo Bottura, o chef numero 2 do mundo. (Fonte: http://www.scattidigusto.it/2015/06/05/video-massimo-bottura-spiega-refettorio-ambrosiano/)
Massimo Bottura, o chef numero 2 do mundo. (Fonte: http://www.scattidigusto.it/2015/06/05/video-massimo-bottura-spiega-refettorio-ambrosiano/)

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FloCiBO na estrada – Cinque Terre e Porto Venere

Minha amada Porto Venere
Minha amada Porto Venere

Eis que, finalmente, o calor chegou de vez por aqui. Para uma boa brasileira como eu, tudo fica mais lindo quando se pode andar de rasteirinha e vestido sem manga. Mais incrível ainda é poder pular no mar e lagartear um pouco no sol, depois de tantos meses de temperaturas abaixo dos 20 graus.

Uhuuu!
Uhuuu!

Em um clima temperado como o europeu, as estações são de fato muito marcadas e cada uma delas traz consigo mudanças radicais. Agora, estamos em uma primavera já com cara de verão e, assim como no Brasil, os finais de semana de sol são sinônimos de êxodo das cidades em direção ao mar.

Minha primeira escapadela do ano foi para a Ligúria, mais precisamente na Província de Spezia, onde fica a maravilhosa zona das Cinque Terre. Minha base foi uma das cidades mais mágicas que já visitei, Porto Venere, e de lá pude passear pelas cinco cidadezinhas coloridas empoleiradas em um costão com vista mar.

Essa é Porto Venere... Foto estupenda de Simone Tortini
Essa é Porto Venere… Foto estupenda de Simone Tortini

Partindo de Porto Venere, as cidadezinhas são: Monterosso al Mare, Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore e o melhor jeito de visitá-las é pegar um barco, descer na primeira – ou na última – e fazer o percurso entre elas à pé ou com um trenzinho.

Aliás, vale dizer que ali se caminha muito. Principalmente para cima e para baixo… ou seja, como a geografia local é muito acidentada, é impossível não subir e descer escadas o tempo todo. O resultado? Pernas durinhas e, claro, uma fome de leão!

Ainda bem, come-se muito bem por lá. A cozinha é baseada em peixes e frutos do mar (principalmente mexilhões, que ali se chamam “muscoli”) e, claro, muito pesto. Read More

Viagem ao Japão

Um dos propósitos mais nobres da EXPO 2015 de Milão, com suas dezenas de pavilhões nacionais, é proporcionar ao visitante que entra em cada um desses microcosmos uma viagem a um país distante.

Confesso que ainda não visitei todos os espaços dessa enorme festa, mesmo assim, não tenho dúvidas de que a nação que melhor desenvolveu essa ideia foi o Japão.

Por exemplo, o pavilhão criou um aplicativo lindo que não só te guia durante a visita, mas te dá de presente inúmeras fotos.
Por exemplo, o pavilhão criou um aplicativo lindo que não só te guia durante a visita, mas te dá de presente inúmeras fotos. (Disponível para IOS e Android no site https://www.expo2015.jp/it/app/)

E não estou falando do pavilhão em si (o mais badalado da EXPO, e o mais bacana que visitei), mas da sacada excepcional de levar ao outro lado do mundo – ao menos por seis meses – um dos restaurantes mais tradicionais do Japão, o Minokichi.

Criado em Kyoto em 1716 (!!!), hoje em dia esse nome é uma referência absoluta de cozinha japonesa tradicional de altíssima qualidade, tendo dado origem a uma rede de restaurantes espalhados por todo o país (com casas em Tóquio, Osaka, Saitama, Chiba e Kanagawa).

Na casa provisória lombarda, a proposta é simples, mas imbatível: existem 3 opções de menu e uma extra para a hora do almoço. Trata-se basicamente de um menu-degustação com pratos de peixe, carne, sopas e doces. O sortudo comensal só precisa escolher o quanto quer gastar – e nunca é pouco: o menu do almoço, o mais barato, sai 80 euros sem bebida. O mais caro? 220 euros.

Sei que alguns vão dizer que é um exagero, uma coisa despropositada e tudo mais. Até alguns jornais italianos se esqueceram de falar da qualidade da comida (será que entenderem?) para encurtar a matéria e alardear simplesmente que aquele é o lugar mais caro da EXPO. É, sim, o lugar mais caro do evento, mas também a melhor experiência possível para qualquer um que queira ser realmente transportado para as entranhas da cultura gastronômica de um país tão fascinante como o Japão.

Que bonitinhos! Nem parecia que eu estava no meio da Itália...!
Que bonitinhos! Nem parecia que eu estava no meio da Itália…!

Ao entrar no recinto, silêncio. Uma simpática moça vestida impecavelmente com quimono me leva à sala principal. Ali, estão poucos clientes – uma meia dúzia de homens japoneses – e, do lado de lá do balcão, três senhores, vestidos inteiramente de branco e com um chapeuzinho da mesma cor. Por um instante, param de cortar peixes quase-vivos e me dão as boas-vindas.

Noto que um deles, o mais velho, fica particularmente surpreso ao ver entrar uma menina de olhinhos puxados que fala italiano e veio comer sozinha. Ele é o chef, Yoshihiko Horimoto (e atualmente comanda o Minokichi principal, em Tóquio).

E, mal chega minha Kirin Ichiban– sim, a menina estranha que come sozinha toma cerveja – o primeiro prato é delicadamente colocado na minha frente. “Zenzai”, o antepasto, com enguia cozida com pimenta-do-reino verde japonesa, rolinho de salmão e queijo cremoso, camarão grelhado, “foie gras gelatina” à la japonesa, omelete japonês e verduras temperadas com pasta de nozes. À primeira mordida, uma certeza – e um certo alívio –: estava no lugar certo e aquela refeição valeria cada centavo.

Antepasto
Antepasto

Depois, “Wanmono”, sopa. Aquela era de dashi – caldo de alga kombu e peixe seco – com um pedação de pargo frito dentro, cenoura, alga wakamame, gengibre e alho porró. É impressionante como uma coisa tão límpida e inocente pode conter tanta potência. Como dizia o sábio, de levantar defunto!

Sopa - dashi - com algas e peixe
Sopa – dashi – com algas e peixe

A seguir, o essencial: sashimi de vieiras, atum selado e pargo.

Sashimi!
Sashimi!

E, logo depois, a brincadeira fica séria: um EXCEPCIONAL olho-de-boi marinado por um dia com molho yuanji (típico da região de Kyoto, feito com saquê doce, e inventado pelo criador da cerimonia do chá) e grelhado ao momento. A partir de então não consegui mais parar de sorrir.

Olho-de-boi marinado e grelhado.
Olho-de-boi marinado e grelhado.

Eis que chega, então, o melhor prato da degustação: bife de carne japonesa grelhada com molho teriyaki da casa, acompanhada de verduras e tomate grelhado com molho de missô.

Carne que derrete na boca com molho Teriyake de verdade
Carne que derrete na boca com molho Teriyake de verdade

Meus amigos, vocês não imaginam o que era esse molho teriyaki. Esqueçam tudo que leva esse nome; não merece ser chamado assim. E a carne? A melhor que já comi na vida. Parecia feita de manteiga. Juro que quase chorei quando dei a primeira garfada – ou melhor, “hashiada”.

Para começar a fechar com chave de ouro, sushi de enguia (que é e sempre será meu preferido), pargo com alga kombu e toro. Pequeno detalhe: nessa altura, o chef já estava rindo da minha cara; eu devia estar fazendo expressões muito peculiares porque ele olhava para mim, ria, e dizia: “arigatô”.

Sushi
Sushi

Depois, um missoshiro impecável, uma granita de chá verde com doce de feijão e um docinho (também de feijão; os japoneses são um pouco monotemáticos em se tratando de sobremesa)

para acompanhar o chá. Este, não tinha nada a ver com aqueles saquinhos suspeitos que compramos no supermercado; era um lindo pó verde-vivo que a minha garçonete preferida – a Keiko, que mora em Bologna e vai virar minha melhor amiga – preparou, literalmente, com toda a cerimônia.

Keiko e o chá
Keiko e o chá

Ao final de tudo isso, eu estava tão feliz que quis abraçar todos, tirar mil fotos e declarar minha emoção.

Resumindo, foi lindo. Me senti como se tivesse feito um bate-volta para Kyoto.

E contarei ansiosamente cada segundo até ir para lá de novo.

Diretamente do mar

Peixe fresco no coração de Bologna
Peixe fresco no coração de Bologna

Talvez porque tenha sangue japonês correndo nas veias, ou simplesmente porque é bom e ponto, o fato é que sempre gostei muito de comer peixe.

Quando morava em São Paulo, porém, confesso que à exceção de lugares conhecidos e confiáveis, sempre ficava com um certo pé atrás de pedir peixe (frutos do mar nem se fala!) por receio de não ser fresco.

Até cheguei a pensar que fosse frescura minha (desculpe o trocadilho), mas eis que, quando já estava morando aqui na Itália, meu talentosíssimo amigo José Orenstein fez uma matéria que na minha opinião é histórica, sobre por que efetivamente o peixe que chega à maior parte dos restaurantes em São Paulo não é fresco. (Vale a pena ler, clique aqui.)

Uma edição histórica do Caderno Paladar
Uma edição histórica do Caderno Paladar

Mas o que isso tem a ver com Bologna? Pois bem, qual não foi minha surpresa ao chegar em Bologna – que, atenção, não é uma cidade litorânea – e ver que bem no miolo do centro da cidade, ou seja, praticamente a dois passos da praça principal (a Piazza Maggiore) e da igreja mais importante (de San Petronio), em um raio de menos de 10 metros, existem três peixarias que vendem produtos fresquíssimos (muitos ainda vivos).

Peixes na rua
Peixes na rua

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EXPO 2015 – Japão e Brasil

Árvore da Vida, o símbolo da EXPO 2015
Árvore da Vida, o símbolo da EXPO 2015

Semana passada, tive o prazer de ir com a minha mãe à EXPO 2015, de Milão. Confesso que estava muito curiosa, sem saber o que esperar. Era certo que se tratava de um evento de proporções históricas (já falei delas aqui), mas não tinha muita ideia do que efetivamente encontrar por lá.

Minha aposta (e esperança) era me deparar com muita comida, claro. Mas, estranhamente, não é bem assim.

Deixa-me, então, tentar explicar o que é essa tal de EXPO: muito simplesmente, existem quase 200 pavilhões, de países, empresas italianas e instituições variadas, como a ONU e o movimento Slow Food. Os pavilhões nacionais são basicamente casas inteiramente projetadas por arquitetos dos países representados, cada uma com uma “exposição” sobre o tema genérico alimentação e nutrição e um mini restaurantinho.

O jeito de abordar o tema, porém, varia muito.

Alguns optaram por focar na tradição culinária em si, como o lindíssimo e concorrido pavilhão do Japão (o mais legal que visitei).

Pavilhão do Japão
Pavilhão do Japão

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Mea culpa

Faço aqui uma mea culpa. Minha intenção, desde o início deste blog era escrever com a maior frequência possível, já que assunto para falar não falta. Assunto não, mas tempo às vezes sim.

Nesse último mês estive em uma correria maluca, coordenando trabalhos, visitas deliciosas dos pais, preparativos para o casamento… e no meio desse turbilhão, minha inspiração para compartilhar com vocês temas bacanas ficou um pouco para escanteio.

Por isso, acima de tudo me sinto na obrigação de pedir desculpas, já que ao longo desse quase um ano de FloCiBO fui presenteada com vários leitores e seguidores e me parte o coração pensar que deixei algum de vocês decepcionado.

Mas, de agora em diante, me comprometo a voltar ao velho ritmo, afinal, se eu continuo achando tempo para comer (bem) posso também achar uns espacinhos para escrever sobre…

Eu com cara de "qual vai ser o próximo post?"
Eu com cara de “qual vai ser o próximo post?”

Daqui a pouquinho, por exemplo, posto o próximo! Fiquem ligados🙂

Beijos,

Fló.

Festa universal

Mesmo com o coração apertado, não estive no Brasil durante a Copa do Mundo. Ainda assim, de longe, acompanhei tudo, sofri junto e, principalmente, me mantive sempre a par de todos os comentários descrentes e pessimistas que proliferaram por toda parte antes que a bola rolasse efetivamente.

E confesso que, nos últimos meses, tenho sentido um certo dejà vu aqui na Itália. Não, nenhum mega evento esportivo está para acontecer, mas sim a maior exposição do mundo, a EXPO 2015, que começara amanhã, em Milão.

Contagem regressiva EXPO (fonte: https://www.facebook.com/Expo2015Milano.it/)
Contagem regressiva EXPO (fonte: https://www.facebook.com/Expo2015Milano.it/)

Já falei dela aqui, mas só para relembrar – até porque sei que aí no Brasil pouquíssima gente sabe que um evento tão importante está para acontecer – as exposições universais são eventos nos quais diversos países convidados expõem suas novas tecnologias e projetos em pavilhões nacionais. A primeira delas ocorreu em 1851 em Londres e, a partir de então, a cada cinco anos, uma cidade sede é escolhida para receber o evento. Se, originalmente, não havia um tema definido, hoje em dia cada evento conta com um mote.

Esta edição será o maior evento já realizado sobre os temas alimentação e nutrição. Ao longo de seis meses, Milão se transformará em uma enorme vitrine onde mais de 140 países, incluindo o Brasil, mostrarão suas mais recentes inovações tecnológicas e projetos sobre o tema.

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