Ciao!

FloCiBO
Flo = Flora Pinotti Sano
Ci = cibo = comida
BO = Bologna, minha cidade.

Resolvi finalmente concretizar a ideia deste blog quando, depois de uma noite mal-dormida, chateações de manhã no trabalho e um mau-humor do capeta, me dei conta que a coisa mais rápida e eficiente para me fazer sorrir de novo era ir ao mercado de Bologna e depois cozinhar.

Sei que parece exagero, que as pessoas vão pensar: “pronto, mais uma querendo bancar a gourmet, a pedante, a food-blogger/hipster/alternativa”. Mas juro que não é isso.

Em poucas palavras – e depois volto pro nascimento do blog – aquilo foi uma manifestação clara do resultado de uma mudança muito mais profunda que ocorreu na minha vida nos últimos dois anos.

Depois de 25 anos de Brasil, resolvi sair para me encontrar. Deixei para trás uma carreira promissora e vim para Bologna (sei que em português é “Bolonha”, mas peço licença para manter o original) para procurar – e abrir – novas portas.

Acabei me encontrando nesta cidade nova – para mim – mas que é a casa da universidade mais antiga do mundo; cheia de jovens e cheia de velhos; onde se  fala italiano com sotaque “cantado”; onde nasceu um dos cantores italianos mais brasileiros da história – Lucio Dalla – que fez música para o Senna e era parceiro de Chico Buarque; onde  cálice de vinho normalmente está vazio, e o copo de água sempre cheio; mas, acima de tudo, onde comida é um assunto seríssimo

(Foto: Simone Tortini)
(Foto: Simone Tortini)

Sabia, quando cheguei, que muita coisa iria mudar na minha vida. O que jamais tinha passado pela minha cabeça, porém, é que, em meio a toda essa reviravolta, eu pudesse passar a enxergar de maneira tão diversa algo que ao mesmo tempo sempre tinha sido tão familiar, mas que jamais foi prioritário para mim: a admiração pela comida.

Admito, sempre fui gulosa e, agradeço, sempre comi bem. Principalmente por mérito dos meus pais e das minhas avós –uma italiana e uma japonesa – soube desde pequenininha o que era comida boa de verdade. Mas, até chegar aqui, “comida” era algo que normalmente ficava restrito ao período de tempo entre o sentar-se à mesa e levantar-se dela. Mas aqui não, é sempre – e é sempre fascinante.

E, de repente, sem perceber, vi que estava organizando meus fins de semana em função dos restaurantes onde queria andar; que só havia sites de receita dentre os meus favoritos; que me vi eviscerando todos os peixes e moluscos imagináveis e achando tudo divertidíssimo; que me peguei explicando ao meu namorado (italiano) como se preparava uma verdura que nem existe no Brasil.

Percebi, então, que era sério. E, como sinto quase tanto prazer em comer quanto em falar/escrever sobre comida – e também porque acho justo documentar (para mim e para quem interessar) as peripécias de uma brasileira comilona que descobre as maravilhas da Itália – resolvi finalmente botar as mãos na massa.

 Benvenuti!

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