O dilema da mala

Quando amigos, parentes e afins vêm me visitar aqui em Bologna (venham sempre!!) e me falam: “minha mala está estourando, mas queria levar alguma coisinha…o que você sugere?”,  normalmente penso ou em coisas cuja qualidade no Brasil é muito inferior àquela encontrada aqui, ou que custam muito mais aí.

É óbvio que, infelizmente, grande parte das coisas imperdíveis é perecível – caso contrário, eu sugeriria tomates, plantas de manjericão, mortadella, tortellini… – mas, de qualquer forma, é possível levar de volta para casa boas lembrancinhas.

Resumidamente, minhas respostas normalmente são:

O dilema da mala
O dilema da mala

Ou seja, se a mala está quase estourando, mas ainda dá pra dar um jeitinho, tudo depende da sua aversão ao risco – de ser parado na alfândega, ou de estourar alguma coisa na mala… Em relação ao primeiro, sei que fazer escala na França é sempre algo arriscado… pelo menos em relação à bagagem de mão, eles são chatos mesmo e confiscam tudo.

Porém, se você gosta de viver perigosamente, na minha lista há: uma garrafa de um bom azeite e/ou aceto balsamico de verdade, uma grappa (cujo preço no Brasil é indecente) e, na mala de mão, um bom salame inteiro – sei que é cafoníssimo, mas não estou nem aí e, viva!, aguenta bem a viagem.

Quanto aos vinhos, é claro que aqui custam muuuuuito menos do que no Brasil e se você achar uma garrafa particularmente boa, vale à pena. O meu único porém é que, no geral, acho que a razão espaço ocupado/quanto dura não é das mais favoráveis… mas, se sobrar espaço na mala (e principalmente se o limite de peso permitir), vai com tudo!

Por outro lado, se você quer ficar livre de enrascadas, produtos secos são os campeões. Funghi porcini seco, por exemplo, é algo que custa muito menos aqui e apresenta uma qualidade muito superior àquela que encontramos no Brasil. Outra alternativa simpática é uma cafeteira “tipo moka”, para fazer café à la italiana em casa.

Mas, se a mala está estourando mesmo, as melhores alternativas são temperos, principalmente orégano siciliano – que é algo muito diferente do orégano da pizza no Brasil – e meus amados peperoncini. (Em breve, quero fazer um post com sobre o mundo maravilhoso do peperoncino). Uma ressalva: aqui, principalmente em lojinhas turísticas, existem muitas misturas de tempero pronto, principalmente para adicionar à pasta – e-g- all’arrabiata, alla carretiera; aglio e peperoncino, etc.. Eu, particularmente, acho roubada. São caros quando comparados aos temperos vendidos separadamente e não garantem um sabor parecido com o dos pratos originais. Vale mais à pena passar em um supermercado italiano e comprar os vidrinhos à parte.

Seja como for, na minha opinião, o importante mesmo é levar algo que, quando usado em casa, no Brasil, te faça lembrar da viagem que passou – e te faça querer voltar o mais rápido possível.

 

2 Comments

  1. Giovanna

    Voltei há pouco de Portugal e cheguei em Guarulhos pelo novo terminal. Todos do vôo (sem exceção) precisaram passar suas malas pelo raio-x. Identificaram que eu tinha um queijo na mala e eu tive que abandoná-lo por lá (era de uma vila do Alentejo… Imagina a tristeza). Pelo menos eu consegui ficar com o orégano e as folhas de louro. Tá difícil viver perigosamente…

    1. Flora Pinotti Sano

      Oi, Gi!! Pois é, imagino bem a tristeza!! Já ouvi histórias de gente que conseguiu levar um presunto cru inteiro na mala… mas, tem razão, tá ficando cada vez mais difícil… e, claro, aversão ao risco tem que ser mínima :p
      Beijão e fico muito feliz de te ver por aqui!

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