Brodo: um passatempo útil

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Ok, talvez não seja todo mundo que, quando surge um tempinho livre, resolve fazer brodo (em bom português, caldo). Mas, assumindo algumas excentricidades particulares e um amor incondicional pelo prato mais típico de Bologna – o tortellini in brodo – apresento algumas razões para “perder tempo” com isso. (E claro, a receita também!)

Um: sabendo do que se trata: o brodo nada mais é do que água, legumes e carnes cozidos muito lentamente. Sabe o sabor que o famoso caldo Knorr dá? Pois é, o natural é muito melhor – e não faz as coisas ficarem salgadas. É ideal para preparar sopas, risotos, conferir mais sabor a legumes, carnes e etc. E, se você tiver a sorte de encontrar tortellini (recheados de carne) frescos por aí, cozinhá-los no brodo por apenas alguns minutos é suficiente para dar origem a um dos melhores pratos do universo.

Dois: é muito fácil. Fazer brodo demora, mas é muito fácil. Para o de legumes basta lavar, colocar em muita água e deixar cozinhar em fogo baixo por pelo menos duas horas e meia os seguintes ingredientes: cebola, cenoura e aipo (ambos cortados em pedaços grandes), salsinha e, se quiser, também uns dentinhos de alho inteiros, uns grãozinhos de pimenta-do-reino e louro. Detalhe: brodo original não leva sal durante o cozimento. O truque é ajustar depois de pronto, dependendo da preparação que você quiser fazer.

Três: sofisticar é um trunfo. Uma vez entendido como se faz o brodo vegetal, aqueles de carne viram fichinha. Sabe aquelas carnes que custam pouquíssimo e ninguém quer comprar no açougue? Tipo músculo, galinha e etc.? Pois é, esses são os melhores para fazer o brodo, pois são gordurosos e muito saborosos.

Não precisa fazer nada com eles, basta jogá-los na panela junto com os ingredientes descritos acima. Eu, normalmente, sigo à risca a tradição bolognese e coloco além dos legumes, galinha (ou frango mesmo) e músculo juntos.

Depois de cozidos por horas em fogo muito baixo, viram uma perdição (veja o item seguinte) e, para fazer com que o brodo fique magrinho, basta esperar que esfrie para tirar a gordura que fica na superfície. Por fim, coe tudo com o auxílio de uma peneira coberta com papel toalha. (Obs. Se vc estiver com pressa ou for usar o brodo logo em seguida, só filtrá-lo com o papel é mais do que suficiente.)

Aqui embaixo eu explico direitinho como se faz.

Quatro: dura pra caramba. Você pode congelá-lo por até três meses; se preferir, coloque-o em forminhas de gelo para ter porções pequenininhas e ideais para serem usadas em qualquer preparação.

Cinco: amanhã tem festa! Você cogitou que as carnes cozidas iriam para o lixo? De jeito nenhum!!! Com o músculo, dá pra fazer uma carne fria deliciosa (basta desfiar os pedacinhos – descartando aqueles com mais gordura – temperar com sal, pimenta-do-reino, alho, cebola cortada em rodelas muito fininhas, azeite e vinagre) ou então colocar em uma sopa de legumes – se for feita com o brodo, ainda melhor!

Outra dica é fazer as famosas “polpette alla milanese”, que são uma espécie de croquete. Na verdade, nunca fiz, mas vou tentar hoje no almoço – e depois, claro, conto como ficou!

Com o frango, que desmancha na boca de tão macio, basta descartar a pele, desfiar a carne e aproveitá-la para saladas, recheios de torta, arroz e tudo aquilo que a imaginação permitir.

Dito tudo isso, entendo se alguém achar algo melhor para fazer em três horas livres, mas, garanto, naquelas tardes chuvosas, enquanto o filminho passa na TV, aproveitar o tempo para fazer isso é uma ótima pedida.

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