Nas pequenas coisas

Amado Brasil
Amado Brasil

Recentemente, estive no Brasil para mais uma visita zás-trás e, além de matar o desejo de pão de queijo, mamão, farofa e suco de laranja doce como mel, me dei conta que existem alguns pequenos costumes gastronômicos tipicamente brasileiros (ou, pelo menos, definitivamente não italianos) de que sinto muita falta por aqui…

Por isso, enquanto desarrumo minhas malas e ajeito o resto da vida por aqui, fica uma lista de pequenos “hábitos” à mesa brasileira que são verdadeiros prazeres – e que a gente não dá o devido valor até ir embora.

  • Couvert com pão e manteiga

Uma das coisas mais curiosas que reparei aqui na Itália é que, à exceção do extremo norte, principalmente das regiões do Piemonte e Trentino Alto Adige, comer pão com manteiga é praticamente uma heresia.

Isso mesmo, me lembro até hoje da cara de espanto (para não falar nojo!) do meu namorado milanês ao falar que tinha conhecido umas suecas que comiam pão com manteiga no café da manhã e antes da refeição. Ele ainda não se conformou.

Felizmente, no Brasil isso é a coisa mais normal do mundo. E, ainda bem, me deparei com pãezinhos quentinhos e manteiga molinha antes de todas as refeições que fiz.

  • Tomar suco junto às refeições
Vai um suco ai?
Vai um suco ai?

Se, no Brasil, as pessoas olham torto para alguém que toma vinho no almoço (hábito extremamente difundido aqui na Itália), italianos sequer cogitam tomar suco junto às refeições.

Tudo bem, nossa variedade de frutas é excepcional e o calor dos trópicos contribui para aumentar vontade, mas mesmo em regiões italianas riquíssimas em frutas (por exemplo, a Sicília), é impensável tomar suco e comer ao mesmo tempo. Vai entender…

  •  Tudo à vontade

Você conseguiria contar na mão os restaurantes por quilo, self-service com buffet, ou rodízio que você conhece? Faltariam dedos, né? Pois bem, aqui em Bologna não consigo pensar em nenhum.

Aqui, comer fora é sinônimo de escolher algo do cardápio. Toda essa fartura que temos no Brasil e a possibilidade de equilibrar em um só prato salada, arroz, feijão, bife, macarrão, bolinhos, farofa, legumes e etc. – colocando a quantidade que você bem entender – não existe.

  •  Fruta para a sobremesa

Ok, não é correto afirmar que na Itália não se comem frutas como sobremesa. Mas garanto que é bem mais raro do que no Brasil. Mais uma vez, a riqueza natural verde-amarela contribui, claro, mas acho que é mais uma questão de costume do que de restrição de oferta.

Explico: ao final da refeição, os italianos esperam alguma coisa realmente doce. Assim sendo, como as frutas não são tão doces quanto às brasileiras, ou eles desistem de servi-las, ou as colocam à mesa com açúcar. Já perdi a conta das vezes que me ofereceram salada de frutas (em italiano, “macedonia“) mergulhadas em um caldinho doce que é a peste. Salada de frutas sem açúcar é impensável aqui – e, por outro lado, para uma boa brasileira como eu, servi-la à la italiana beira o inaceitável.

  • Docinho junto com o café

Ah, que alegria ver o café chegar com um monte de docinhos, como acontece no Brasil! Tá bom, não precisa nem exagerar, mas um mísero biscoitinho é simpático, vai?

Pois é, aqui não tem isso não. Café é café, docinho é docinho. Um não pressupõe o outro. Uma pena.

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